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Muiara-Ubi

Por: Semira Adler Vainsencher.

Muiara-Ubi era filha do cacique Arcoverde, dos índios Caetés, que dominavam toda a costa de Pernambuco. Sua aldeia principal encontrava-se nas colinas de Olinda, local onde os portugueses decidiram se instalar. Mulher bastante ativa e inteligente, ela manejava com destreza o arco e flecha, sendo chamada de Princesa do Arco-Verde.

Também imitava os pássaros, remava, nadava, e era poetisa. Como as demais mulheres de sua etnia, plantava e colhia a mandioca (a maior contribuição indígena à culinária brasileira), preparava o beiju, uma espécie de tapioca fina, um dos pilares de sua alimentação; e processava vários produtos da terra, fabricando o cauim, por exemplo, uma bebida fermentada e alucinógena, feita com caju e muito apreciada pelos nativos.

Em se tratando de vida amorosa, Muiara-Ubi possuía uma sexualidade livre, ou seja, era ela que escolhia seus próprios parceiros. E, assim, apaixonou-se e veio a se casar com o português Jerônimo de Albuquerque, irmão da célebre Brites (ou Beatriz) de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania de Pernambuco.

Como tudo isso aconteceu?

Na segunda metade do século XVI, após a morte de Duarte Coelho, em Lisboa, Brites teve que assumir o governo da capitania, tendo sido a primeira mulher a exercer o poder no Brasil. Vale ressaltar que, na época, as representantes do sexo feminino não tinham direito à escolha, não eram consideradas cidadãs, ficavam restritas ao espaço privado, sendo-lhes interditada a inclusão no espaço público. Mas, Brites contou com a importante ajuda de seu irmão, que havia se estabelecido na região e muito auxiliou no desenvolvimento da capitania.

Após muitos anos de lutas e conflitos, Jerônimo foi preso pelos Caetés. Acontece que Muiara-Ubi se apaixonou pelo prisioneiro, interveio junto ao pai, impedindo a sua morte, e casou-se com ele.

Com o matrimônio surgiu uma paz duradoura entre indígenas e portugueses. Para unir-se a Jerônimo, contudo, Muiara-Ubi foi batizada pelo colonizador, recebendo um outro nome: Maria do Espírito Santo Arco-Verde.

O casal teve oito filhos e filhas mamelucos, de alguns/algumas do(a)s quais descendem grandes e poderosas famílias do Estado - Albuquerque Maranhão e Cavalcanti de Albuquerque - que deram continuidade ao processo de miscigenação entre índios e europeus, e garantiram, no início do Brasil Colônia, a proposta política de povoamento.

Cabe salientar que, a despeito de as crianças conviverem a maior parte do tempo com as mães, índias, elas eram ensinadas a obedecer aos pais, que, no caso, eram os portugueses. Desse modo, todos ficavam comprometidos com a sobrevivência dos colonizadores, elemento fundamental à expansão do poder lusitano além mar.

Esta foi mais uma oportunidade para se retirar, da invisibilidade, mulheres de várias raças e etnias - como Aqualtune, Brites de Albuquerque e Muiara-Ubi (respectivamente, africana, européia e indígena) - que muito contribuíram para a formação do povo brasileiro.


Fontes consultadas:


ELEIÇÕES 2004 – Desconstruindo a desigualdade na representação política.  Disponível em:

http://flacso.org.br/index.php?option=com_content&task=category&sectionid=4&id=27&Itemid=269

ESCOLAS feministas nos bairros/comunidades: uma experiência intercultural de saberes, práticas e outras diferenças. Disponível em:

http://www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/ST45/Quadros-Severien_45.pdf
Acesso em: 28 out. 2009.

MUIARA Ubi. Disponível em:

http://www.portais.pe.gov.br/c/portal/layout?p_l_id=PUB.1327.47 Acesso em: 30 out. 2009.

MUIARA Ubi. Disponível em:

http://www.mulheredemocracia.org.br/perfis_muiara_ubi.htm Acesso em:
29 out. 2009.