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Geninha da Rosa Borges
 

Geninha da Rosa Borges

Por: Semira Adler Vainsencher.

No dia 21 de junho de 1922, no bairro da Boa Vista, no Recife, nasceu Maria Eugênia Franco de Sá. Seus pais eram Edgard Autran Franco de Sá e Maria Emília Fioch Pinto. Ela estudou no Colégio São José. Em 1943 e 1945, respectivamente, concluiu o bacharelato e a licenciatura em Letras Anglo-Germânicas, na Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE); e, em 1974, na mesma Faculdade, formou-se, também, em Pedagogia. Nos Estados Unidos e no Japão, concluiu uma pós-graduação em Teleducação, tendo sido a criadora do Sistema Teleducativo de Pernambuco.

Na Secretaria de Educação do Estado ocupou uma série de cargos: foi inspetora de federal de ensino, chefe do Centro de Educação pelo Rádio e TV (CERTE), coordenou o Sistema de Educação pelo Rádio e Televisão (SERTE), e dirigiu o Departamento de Recursos Tecnológicos para a Educação (DERTE). Contudo, desde pequena, esteve presente nos palcos e atividades culturais dos estabelecimentos de ensino, dedicando-se ao teatro. Ela ressalta que “já nasceu artista”.

Em 1941, como atriz, Maria Eugênia estreou na peça beneficente Noite de Estrelas, encenada com a finalidade de ajudar as vítimas de hanseníase. Na platéia, encontrava-se Valdemar de Oliveira, teatrólogo que possuía uma visão apurada para garimpar novos talentos, e que, na época, dirigia o Teatro de Santa Isabel. Ficando encantado com a atuação da moça, ele solicitou aos pais de Maria Eugênia que permitissem sua integração ao Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP). Por conseguinte, ao mesmo tempo em que trabalhava na Secretaria de Educação, a recifense se apresentava em vários Estados do país e no exterior.

Através da amizade com o teatrólogo, veio a conhecer seu futuro esposo – Otávio da Rosa Borges – irmão de Diná de Oliveira, atriz e compositora, esposa de Valdemar. Depois do casamento com Otávio, Maria Eugênia ficou conhecida, definitivamente, como Geninha da Rosa Borges.

No TAP, ainda em 1941, atuou no papel principal da peça Primerose (de Robert de Flers), sob a direção de Valdemar de Oliveira. A partir daí, jamais se afastou do grupo fundador do TAP, tendo atuado em dezenas de peças. Trabalhou, inclusive, com outros grupos teatrais, a exemplo do Teatro de Arena, de Alfredo de Oliveira; e do Teatro Popular do Nordeste (TPN), de Hermilo Borba Filho. Teve a oportunidade de se apresentar em público com alguns “monstros sagrados”, tais como Ziembinski, Bibi Ferreira, Graça Melo e Bollini, que vieram atuar na cidade do Recife, a convite de Valdemar de Oliveira. Geninha também estagiou como atriz, em Londres e Paris, pelo British Council.

De 1979 a 1982, ela foi a Coordenadora de Artes Cênicas, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), do Governo do Estado. A partir de 1983, depois da separação dos Ministérios da Educação e da Cultura, ficou à disposição da Secretaria da Cultura do Estado, como atriz e diretora de espetáculos. No tocante à área da Cultura, ocupou os cargos de diretora do Teatro Santa Isabel (1983-1986, 1991-1992, 1994-2000); e diretora de eventos do Museu da Cidade do Recife. De 1986-1991, foi Supervisora de Artes Cênicas, no Instituto de Assuntos Culturais da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), onde coordenou o curso de iniciação à formação do ator.

Com formação eclética, Geninha desempenhou papéis dos mais variados, passando da comédia ao drama, da farsa à tragédia. Entre outras, atuou nas seguintes peças: Uma Mulher Sem Importância (Oscar Wilde, 1941); O Processo de Mary Dugan (Bayard Weller, 1941); A Exilada (Kistemaekers, 1941); A Canção da Felicidade (Oduvaldo Viana, 1942); O Leque de Lady Windermere (Oscar Wilde, 1943); A Comédia do Coração (Paulo Gonçalves, 1944); Nuvem (Coelho Neto, 1944); A Gota d’Água (Henry Bordeaux, 1945); Capricho (Musset, 1945); A Dama da Madrugada (Alejandro Casona, 1945); A Casa de Bernarda Alba, (Garcia Lorca, 1948); Nossa Cidade (Thorton Wildler, 1948); Esquina Perigosa (J. B. Priestley, 1949); O Poço do Rei (José Carlos Cavalcanti Borges, 1950); Arsênico e Alfazema (Kesselring, 1950); Um Século de Glória (Valdemar de Oliveira, 1950); Do Mundo Nada se Leva (Kauffman, 1951); Sangue Velho (Valdemar de Oliveira e Aristóteles Soares, 1952); A Verdade de Cada Um (Pirandello, 1953); Massacre (Emmanuel Roblès, 1953); Está lá Fora um Inspetor (J. B. Priestley, 1953); O Que Leva as Bofetadas (Andreieff, 1954); Anna Christie (O’Neill, 1954); Uma Morte Sem Importância (Ivan Noe, 1954); Vestido de Noiva (Nelson Rodrigues, 1955); Bodas de Sangue (Garcia Lorca, 1956); A Comédia de Balzac (José Carlos Cavalcanti Borges, 1957); O Casmurro (Graça Melo, 1957); Seis Personagens à Procura de um Autor (Pirandello, 1958); Onde Canta o Sabiá (Gastão Tojeiro, 1958); A Pena e a Lei (Ariano Suassuna, 1959); Living Room (Graham Greene, 1959); O Tempo e os Conways (J. B. Priestley, 1960); Leito Nupcial (Jan Hartog, 1960); Mandrágora (Maquiavel, 1960); O Marido Domado (Ariano Suassuna, 1962); Capital Federal (Artur Azevedo, 1965); TAP, Ano 25 (Valdemar de Oliveira, 1966); Uma Pedra no Sapato (Feydeau, 1968); Oito Mulheres (Robert Thomas, 1968); A Casta Suzana (Jean Gilbert e Georgis Okonkowsky, 1970); O Processo de Jesus (Diego Fabri, 1971); Um Sábado em 30 (Luiz Marinho, 1971); Ontem, Hoje e Amanhã (Valdemar de Oliveira, 1972); O Milagre de Anne Sullivan (William Gibson, 1975); O Milagre de Anne Sullivan (William Gibson, 1975); Yerma (Garcia Lorca, 1978); A Promessa (Luiz Marinho, 1983); O Peru (Feydeau, 1984); As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (Fassbinder, 1987); O Atelier de Madame Rabat (Feydeau, 1989); Sábado, Domingo e Segunda (Eduardo de Felippo, 1996); Bob Bobete (Valdemar de Oliveira, adaptação de Fernando Oliveira, 1997); e Geninha 80 anos? Não acredito! (Fernando Oliveira).

Geninha trabalhou como diretora de teatro em vários espetáculos: Leito Nupcial (Jan Hartog, 1960); O Menino Atrasado (Cecília Meirelles, com música de Capiba, no 1º Festival de Teatro Infantil de Pernambuco, 1963); Os irmãos das Almas (Martins Pena, Alagoas);Yerma (Garcia Lorca, TAP, 1978, como o último pedido de Valdemar de Oliveira); Jogos na Hora da Sesta (Romeu Mahieu, TAP, 1980); Gilberto oitentão (Biblioteca Pública Estadual, Recife, 1980); A Promessa ( Luiz de Marinho, 1983); Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (Fassbinder, 1987); e Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto, Teatro José Carlos Cavalcanti Borges, Fundação Joaquim Nabuco,1990).

No que diz respeito ao cinema, participou, em 1939, do primeiro filme falado, rodado em Pernambuco - O Coelho Sai -, sob a direção de Firmo Neto e produção da Meridional Filmes. Atuou, também, nos filmes: Paraíba, mulher macho (de Tizuca Yamasaki); O Baile Perfumado (de Lírio Ferreira); O Pedido (de Adelina Pontual); A Partida (de Sandra Ribeiro); Olegário Mariano (de Marcelo Peixoto); O Teatro e a Música de Valdemar de Oliveira (de Sandra Ribeiro); Cinquenta e Cênicos Anos de Teatro (de Pedro de Oliveira); e Nós sofre, mas nós goza (de Sandra Ribeiro).

Geninha é membro efetivo da Academia de Artes e Letras de Pernambuco (AALPE) e da União Brasileira dos Escritores (UBE), tendo publicado alguns livros, entre os quais: Práticas educativas... essa disciplina; Por que Ginásios Modernos?; De 1962 a 1968 - Exames de Madureza no Estado de Pernambuco; Produção e Recepção na Teleducação de Adultos; e Aplicar - Tecnologia Educacional - todo dia, o dia todo.  

Escreveu, ainda, a obra Teatro de Santa Isabel - Nascedouro e Permanência, onde registrou os cento e cinquenta anos de história daquele Teatro, discorreu sobre os bailes de máscaras e banquetes que lá ocorreram, o comportamento do público presente e costumes da época, bem como seus aspectos arquitetônicos e históricos. O livro foi publicado em 1992, pela Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

De 1998 a 2006, participou do espetáculo Paixão de Cristo do Recife, sob a direção de José Pimentel, que se realizou, inicialmente, no Estádio do Santa Cruz Futebol Clube, no bairro do Arruda; e, depois, transferiu-se para o Marco Zero, no Recife Antigo. Em 2004, atuou na novela Da cor do Pecado, da Rede Globo; e, em 2009, na novela A Favorita, da mesma emissora. Sua atuação mais recente é a personagem Mrs. Boyle, em A Ratoeira, de Agatha Christie, direção de Carlos Carvalho, em 2007. Em 2008, foi a homenageada do 11º Festival Recife do Teatro Nacional.
Com toda a certeza, a mais que talentosa Geninha da Rosa Borges faz jus ao título de Primeira Dama do Teatro Pernambucano.


Fontes consultadas:


BORGES, Geninha de Sá da Rosa (1922). Disponível em:

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=8883 Acesso em: 2 nov. 2009.

GENINHA da Rosa Borges. Disponível em:
http://enciclopedianordeste.com.br/0189.php Acesso em: 21 jul. 2009.

GENINHA da Rosa Borges. Disponível em:

http://www.pe-az.com.br/subsecao_ler.php?id=NTU5 Acesso em: 27 jan. 2009.

ICLB – Instituto Cultural Ladjane Bandeira. Disponível em:

 <http://www.ladjanebandeira.org/v8/geninha.html> Acesso em: 7 abr. 2009.

REIS, Augusto Luís. Bravo Geninha! Continente Multicultural, Recife, ano 4, n. 48, p. 78-81, dez. 2004.

VAINSENCHER, Semira Adler. Teatro de Amadores de Pernambuco e Teatro Valdemar de Oliveira.  Pesquisa Escolar On-line, Fundação Joaquim Nabuco,
Recife. Disponível em:


http://www.fundaj.gov.brnotitiaservletnewstorm.ns.presentation.NavigationServlet?
publicationCode=16&pageCode=318&textCode=837&date=currentDate Acesso em: 2 nov. 2009.