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Selma do Coco
 

Selma do Coco

Por: Semira Adler Vainsencher.

A dança do coco surgiu no período da vinda dos escravos africanos para o Brasil. Com o passar do tempo, eles começaram a dançar em pares e em roda, os casais trocando umbigadas entre si e, os homens, dando umbigadas nas mulheres dos casais vizinhos. A dança foi se transformando e assumiu feições distintas, segundo as localidades.

Em Pernambuco, predominam o tará e o coco de roda. As músicas são tocadas por instrumentos de percussão, e executadas ao som de cantigas que sempre obedecem a um estribilho contínuo, sendo repetidos pelos dançarinos, e cujas cadências são marcadas por palmas e acompanhamentos de viola e violão. Inserida nesse contexto, se destaca Selma Ferreira da Silva.

Selma nasceu em 1935, em Vitória de Santo Antão, no Estado de Pernambuco, mas, aos dez anos de idade, veio morar no bairro da Mustardinha, no Recife. Conheceu o coco de roda (dança e música) com seus pais, ao participar de festas juninas. Selma se casou com um caminhoneiro e teve catorze filhos. Ficando viúva muito cedo (aos trinta anos), no final dos anos 1950, mudou-se com os filhos para a Cidade Alta de Olinda, e se transformou em tapioqueira para conseguir sobreviver. Decidiu, também, combinar a culinária pernambucana com a dança do coco, visando atrair a atenção dos turistas. Ao mesmo tempo, vendia tapiocas e bebidas em frente à sua casa.

Selma foi descoberta pela mídia em meados da década de 1990, quando tinha sessenta e quatro anos. Começou a ser conhecida, desde então, como Selma do Coco e Rainha do Coco. A Rainha passou a se apresentar em todas as festas populares do Recife, de Olinda, Itamaracá e Itapissuma. Para atender aos pedidos dos fãs, gravava músicas de sua autoria, em fitas produzidas artesanalmente, e vendia o material durante as apresentações. Seu sucesso não tardou a chegar: ela vendeu, também, shows, e viajou para a Europa, com o apoio de um etnomusicólogo alemão. Em terras germânicas, finalizou um disco (ainda inédito no Brasil), só com o coco de roda.

Alguns consideram que 1996 é o ano que marcou o início da ascensão de Selma. Nessa data, ela se apresentou, em um pequeno palco, no Festival Abril pro Rock, em meio à efervescência do Movimento Mangue Beat. Na ocasião, a cantora se destacou bastante, conquistou o público presente e aumentou a legião de admiradores. A partir de então, sua vida e carreira não foram mais as mesmas.
 

Sua música A Rolinha - ponto alto do carnaval de 1997 - foi interpretada por vários artistas populares. Isto lhe garantiu a repercussão nacional. A letra da música está registrada a seguir.



A Rolinha

Eu vi um sapo correndo de lá,
A menina que chorou,
Quando olhei pra gaiola eu vi,
A minha rola que vôo.

Oi corre, corre, corre,
Pega, pega minha rola,
“avôa”, “avôa”, “avôa”,
Pega, pega minha rola.

Eu não vou na sua casa,
Pra você não ir na minha,
Que tu tem a boca grande,
Vai comer minha galinha.



Em 1999, chegou a vez do reconhecimento do mercado fonográfico brasileiro, através do prêmio Sharp, pelo disco Minha História. O mesmo sucesso ocorreu com seus marcantes há-hás, que passaram a circular na grande mídia.

O sucesso de Selma foi tamanho, que ela se apresentou no Programa Jô Soares Onze e Meia e no Domingão do Faustão. Os grandes jornais brasileiros - Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e Correio Brasiliense - bem como a revista feminina Marie Claire publicaram matérias destacando a força daquela nordestina, e sua luta para não permitir que uma importante parte da cultura desaparecesse.

A presença da Rainha do Coco foi registrada, inclusive, no jornal americano New York Times, durante sua breve passagem pelo Festival Lincoln Center, em New York. Selma foi, ainda, a única cantora brasileira que participou do Festival de Jazz, em New Orleans.

Contando com o apoio do Ministério da Cultura, Selma divulgou a música brasileira em vários países da Europa, tais como a Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Suíça e Portugal.

Convidada pelo Instituto Cultural de Berlim, ela participou das gravações do disco Herdeiros da Noite, na Alemanha, onde se apresentou ao lado de grupos africanos e de outros países. Foi no Studio Ufa Fabrik, ainda nesse país, que gravou seu disco Cultura Viva. Lá, ela chegou a ser, inclusive, tema de doutorado sobre Cultura Popular.

O Instituto Cultural Brasileiro, em Berlim, na Alemanha, gravou o CD Coco de Roda ao Vivo de Pernambuco; e, a Paradoxx, gravou o CD Minha História, que lhe valeu o prêmio Sharp.

Dentre as inúmeras homenagens que a Rainha do Coco recebeu, cabe destacar aquela prestada pela Universidade de Brasília, no ano de 2002.

Para homenagear a passagem dos setenta anos da cantora, a Prefeitura de Olinda realizou uma festa na Rua de Guadalupe, no Amparo, com a participação de vários grupos populares - maracatus, cabloclinhos e cocos de roda. Nela, se apresentaram os maracatus Estrela Brilhante, Porto Rico, e a Companhia Teatral Dez Mandamentos Boi Surubi, trazendo danças e ritmos pernambucanos. Durante o evento, um vídeo da participação de Dona Selma, no Projeto Pixinguinha, foi projetado em um telão.

Hoje, Selma do Coco vive dos espetáculos que apresenta, e de uma pensão de um salário mínimo, paga pela Previdência Social.

Fontes consultadas:

CD - Dona Selma do coco - Minha história. Disponível em:

http://www.forroemvinil.com/?p=395 Acesso em: 25 jun. 2009.

DONA Selma do Coco - Minha História. Disponível em:

http://docemundodeilusoes.multiply.com/journal/item/21/21 Acesso em: 25 jun. 2009.

SELMA do Coco. Disponível em:

http://www.pe-az.com.br/subsecao_ler.php?id=ODYy Acesso em: 25 jun. 2009.

SELMA do Coco completa 70 anos com festa em Olinda. Disponível em:

http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1209/1209_selma_coco_olinda.asp Acesso em: 25 jun. 2009.

SELMA do Coco letras. Disponível em:

http://selma-do-coco.musicas.mus.br/ Acesso em: 25 jun. 2009.

SELMA do Coco  (Selma Ferreira da Silva). Disponível em:

http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Selma+do+Coco Acesso em: 26 jun. 2009.

SELMA do Coco jangadeiro. Disponível em:

http://www.nacaocultural.pe.gov.br/selma-do-coco-jangadeiro-musica-de-pernambuco Acesso em: 29 jun. 2009.

VAINSENCHER, Semira Adler; Lóssio, Rúbia. A dança do coco. Recife: Fundação Joaquim Nabuco/Centro de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior, n. 304, ago. 2005. (Série Folclore)