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Ida Marinho Rego

Por: Semira Adler Vainsencher.

Filha de Maria Marinho e José Joaquim Dias do Rego, Ida Marinho Rego nasceu no Recife, no dia 16 de maio de 1894. Como grande parte das moças da época, exerceu a profissão de professora. Casou-se com Nelson Ferreira da Paixão, um músico carioca, e com ele teve cinco filhos: Doris, Ivanise, Mauro, Flávio e Márcia.

Com o marido, porém, sua vida não foi das melhores. O músico levava uma vida de boêmio, passava meses fora de casa, sem ajudar nas despesas, chegando ao ponto de viajar para Manaus com um grupo de coristas. Diante dos fatos, Ida entrou na Justiça com um pedido de desquite litigioso e ganhou a causa. Como a imprensa destacou bastante o caso, Nelson Ferreira da Paixão voltou para o Rio de Janeiro.  

O jornal Diário de Pernambuco, após a conquista do voto feminino em 1933, pediu a opinião de algumas pessoas, sobre o perfil da mulher que deveria representar Pernambuco, na Assembléia Constituinte de 1934. Bastante avançada para a época, Ida Marinho Rego foi uma das pessoas entrevistadas. Ela criticou aqueles que não aceitavam a participação feminina, nos vários segmentos da sociedade. Ressaltou que as mulheres deveriam ter a mesma liberdade que procurava conquistar para si própria; e reiterou, ainda, que, sua escolha para representante, iria incidir sobre uma mulher habituada às lutas pela igualdade de direitos entre os sexos. Os pronunciamentos de Ida, sobre a participação feminina em todas as áreas e atividades, tiveram grande repercussão na imprensa.  

Na década de 1930, ela dirigiu a Escola Técnico-Profissional Masculina, que ficava no bairro da Encruzilhada. Durante sua permanência como diretora da escola, Ida representou-a em várias exposições e feiras estaduais. Ela permaneceu no cargo até o advento do Estado Novo, em 1937. A competente educadora coordenou, ainda, a Cruzada de Educação Pernambucana e a Federação de Escoteiros de Pernambuco. Além disso, foi a representante do Estado no V Congresso de Educação. Em 1946, foi reintegrada à diretoria da Escola Industrial de Pernambuco (antiga Escola técnico-Profissional Masculina) em 1946, onde trabalhou até chegar o tempo de sua aposentadoria. Ida Marinho Rego faleceu no dia 1 de maio de 1961.   

Fontes consultadas:

ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa de. O voto de saias: a Constituinte de 1934 e a participação das mulheres na política. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142003000300009&script=sci_arttext Acesso em: 10 set. 2009. SCHUMAHER, Shuma; BRAZIL, Érico Vital (Org.). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade.  Rio de Janeiro: Zahar, 2000.