16.10.2014

Redes sociais são tema de debate em encontro promovido pela SecMulher-PE

As cerca de 300 mulheres que participam do IV Encontro Estadual de Educadoras e Recreadoras Sociopolíticas Rurais, em Garanhuns, começaram o segundo dia de debate (15/10), assistindo um vídeo. O documentário produzido durante o III Encontro, promovido pela Secretaria da Mulher de Pernambuco (SecMulher-PE), em setembro de 2013, fez um resgate das discussões realizadas à época. Em seguida, as educadoras e as recreadoras fizeram um breve debate acerca do documentário, a realidade da época e os avanços alcançados desde então.

Em seguida, a secretária da Mulher de Pernambuco, Barbara Kreuzig, coordenou a mesa redonda “Rede de Agentes de Políticas Públicas para Mulheres Rurais”. “A escolha deste tema veio das demandas que recebemos de muitas educadoras para entender o que de fato é uma rede. Hoje, está todo mundo em rede por causa da internet. Mas esse conceito é muito anterior. Já tínhamos redes elétricas e de saneamento. Aqui, vamos discutir mais profundamente as redes sociais”, explicou, Barbara Kreuzig.

Luiza de Marillac da Federação de Órgãos para Assistência social e Educacional (Fase) abriu a discussão apresentando conceitos teóricos sobre os diversos tipos de rede. “Quando pensamos em rede vem a nossa mente várias imagens: a rede de dormir, a rede de pescar e a teia de aranha. Mas existem vários conceitos de rede”, introduziu.

“As redes são virtuais, mas também reais. Técnicas, mas também sociais. Portanto são por vezes estáveis, mas também dinâmicas. Elas incluem em si mesmas um movimento social de dinâmicas ao mesmo tempo locais e globais”, a definição do pesquisador Milton Santos foi um dos conceitos de rede apresentados por Luiza de Marillac.  Entre as características comuns à maioria dos conceitos apresentados destaque para o fato de as redes serem abertas e não hierárquicas.

Prosseguindo com o debate, Itanacy Oliveira apresentou a experiência da Casa da Mulher do Nordeste que criou a Rede das Mulheres Produtoras do Nordeste, na década de 90. De acordo com ela, o processo foi de intenso aprendizado com várias idas e vindas. “A rede é uma articulação para dentro e para fora. Além da comunicação com os próprios integrantes da rede, relacionamo-nos com outras redes também. Apesar de o nosso foco ser a produção, não deixamos de lado o diálogo político, visando ao empoderamento das mulheres”, afirmou.
Itanacy também reforçou que uma das características das redes é a divisão do poder e o rodízio de lideranças. “Rede é todo mundo. Não pode ser uma, duas ou três”, avaliou.

Margarida da Silva, a Magal, apresentou a experiência da Articulação das Mulheres da Mata Sul. “Nossa rede surgiu após um seminário coordenado pelo Centro das Mulheres do Cabo sobre saúde. A partir de então,  percebemos que era preciso nos unir para exigir os direitos humanos das mulheres na região”, relembrou.  De acordo com ela, o processo também não foi fácil e ainda hoje enfrenta dificuldades para se manter. Atualmente, a Articulação das Mulheres da Mata Sul conta com mais de dez organizações. “Somos mulheres comuns, fazendo coisas diferentes”, finalizou.

Encerrando o debate, Bárbara Kreuzig mostrou um esquema representando a rede formada pela SecMulher e as 43 ONGs que apoiam os programas Convergir Mulher Municípios de Menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Mandiocultoras, Chapéu de Palha Mulher da Zona Canavieira, da Fruticultura Irrigada e da Pesca Artesanal.
No período da tarde, as mulheres participaram de grupos de trabalho para debater temas como: Mídia e Advocacy, Educação não sexista, direitos sexuais e reprodutivos e terapia do cuidado.

Quinta-feira (16/10), as participantes irão apresentar os resultados da discussão de grupo e o IV Encontro Estadual de Educadoras e Recreadoras Sociopolíticas Rurais termina na sexta-feira (17/10).